Tuesday, March 5, 2019

Como incluir fibras em todas as refeições – e quais os benefícios disso

É preciso resistir para não chamar as fibras de nutrientes. Mas a realidade é que falamos de um grupo que não chega a ser absorvido pelo organismo — por isso a nomenclatura não serve para elas. O preciosismo técnico, porém, não abala em nada a sua reputação e os seus benefícios.

Ainda que passem quase ilesas pelo sistema digestivo, as fibras, presentes em leguminosas, cereais, hortaliças e frutas, colecionam feitos consideráveis durante sua viagem pelo corpo. Não à toa, os profissionais de saúde ficam desapontados quando pesquisas indicam que o consumo desses compostos está aquém do ideal, como é o caso de um levantamento feito pelo Ibope a pedido da farmacêutica Takeda.

Em setembro, 2 mil brasileiros responderam a um questionário online sobre hábitos alimentares e ingestão de fibras. Entre os achados, destaca-se o fato de que, embora 78% dos participantes tenham garantido comer fontes da substância, somente 37% disseram fazer isso mais de uma vez ao dia.

É um dado revelador porque, hoje, recomenda-se que homens e mulheres consumam 38 e 25 gramas de fibras por dia, respectivamente. “É uma quantidade grande”, diz a nutricionista Mariana Del Bosco, de São Paulo.

Em geral, o maior aliado do cardápio é o feijão, que fornece 7,3 gramas em uma concha. Já seis colheres de sopa de arroz, se for do integral, têm 3,7 gramas. Somando a dupla, dá pra notar que é complicado depender de uma única refeição para bater a meta — ainda mais se o prato for pobre em verduras e legumes.

Não é de hoje que esse cenário desanima. De acordo com Mariana, informações do IBGE dão conta de que houve importante queda na participação das fibras na dieta nos últimos 40 anos: a ingestão diária despencou de 19,3 gramas em 1970 para 12,3 gramas em 2010. “O consumo atual do brasileiro provavelmente não atinge sequer 50% das recomendações. Precisamos de estratégias para aumentar esse aporte”, afirma.

Solúveis ou insolúveis?

Há diversos tipos de fibra, e eles se dividem nesses dois grupos

A fibra solúvel tem capacidade de formar, lá no intestino, um gel em contato com a água, enquanto a insolúvel não possui essa propriedade — sua ação é considerada mais mecânica. Na pesquisa da Takeda, 70% dos respondentes assumiram desconhecer essas peculiaridades.

Para a nutricionista Eliana Giuntini, do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), vinculado à Universidade de São Paulo (USP), ninguém precisa decorar essas minúcias mesmo. “Dificilmente um alimento é fonte só de um tipo de fibra. Normalmente, há uma mescla”, justifica. É por isso que rótulos não chegam a fazer essa distinção. “O que conta é o consumo total dessas substâncias”, frisa a pesquisadora.

Quais são os benefícios das fibras?

“Com certo esforço, dá para alcançar os níveis adequados de fibras”, diz a nutricionista Elisa Jackix, professora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, no interior paulista. O primeiro passo, segundo ela, é valorizar as fontes dessas substâncias desde o café da manhã. Claro que, para isso, é imprescindível entender quais alimentos são esses (você vê alguns e aprende a inseri-los na rotina mais para frente nesta reportagem).

Só que, na pesquisa da Takeda, entre as pessoas que reconheceram não ingerir fibras, 39% relataram nem ter ideia de onde achá-las. “Isso é preocupante”, comenta Elisa.

Na opinião da nutricionista, muita gente acaba apostando as fichas nos produtos industrializados, já que há muita propaganda em torno da adição de fibras neles. “Ocorre que os principais redutos são os alimentos naturais”, aponta.

Apesar dessa confusão, 74% dos entrevistados asseguraram saber do papel desses compostos no funcionamento intestinal. Segundo a nutricionista Marcia Daskal, de São Paulo, essa é certamente a atuação mais clássica das fibras. “Primeiro, há uma ação mecânica, porque elas agem como vassouras, empurrando o bolo fecal”, ensina. “Além disso, há versões que contribuem para aumentar o volume das fezes”, completa.

E o benefício na área não se restringe a mais visitas ao banheiro. “A parte delas que é fermentada pelas bactérias serve de alimento para células da mucosa intestinal”, conta Marcia. Com isso, as substâncias indiretamente facilitam o aproveitamento de nutrientes.

Aliás, é importante reforçar este ponto: embora não sejam absorvidas, as fibras passam por transformações. É o caso dessa fermentação por bactérias intestinais.

A nutricionista Amanda Romero, pesquisadora da Universidade de São Paulo, nota que certas moléculas formadas a partir do processo, como os ácidos graxos de cadeia curta, teriam efeito mais amplo no corpo. “Há grande interesse em relação ao impacto desses subprodutos das fibras nos sistemas imunológico e neurológico”, exemplifica.

De acordo com a nutricionista Eliana Giuntini, do FoRC/USP, a fermentação ainda dá condições de as bactérias boas crescerem, enquanto minimiza a presença daquelas consideradas nocivas. Inclusive, a microbiota, como é chamada essa comunidade de micro-organismos, é um dos fenômenos que mais fascinam os cientistas hoje, em decorrência de sua provável ligação com diversas questões de saúde — de obesidade a câncer.

Na briga contra outras doenças da pesada, como diabetes, as fibras até atuam de forma mais direta. “Os alimentos fontes delas promovem uma melhor resposta glicêmica”, relata Eliana. Em outras palavras, significa que refeições fibrosas lentificam a absorção de nutrientes, como carboidratos.

O resultado disso é que não ocorrem picos de glicose no sangue. Esses disparos são um tormento porque, nesse contexto, o pâncreas precisa produzir um montão de insulina — o hormônio que bota a glicose dentro das células.

Com o tempo, o órgão tende a ficar exausto e, assim, a fabricação míngua. Ou a insulina simplesmente não consegue mais agir direito. São acontecimentos que contribuem para a sobra do açúcar no sangue e, ao longo do tempo, com o maior risco de diabetes.

Mas há um efeito mais imediato dessa descarga de insulina que todo mundo já deve ter sentido: fome pouco depois de comer. Ora, se a refeição não tem fibras, o aproveitamento dos alimentos é vapt-vupt. Aí o estômago ronca mesmo.

Outra habilidade da classe é no controle do colesterol. “As fibras se ligam aos ácidos biliares, estruturas essenciais para a absorção de gorduras da dieta, e incitam sua eliminação pelas fezes”, descreve Elisa. Essa expulsão obriga o organismo a produzir mais dos tais ácidos. “Para isso, retira-se o colesterol da circulação”, conta a nutricionista.

Não é coincidência que, segundo Mariana, um estudo mostrou que o incremento de 10 gramas de fibras reduziu em 14% o risco de problemas cardíacos. Chame-as como quiser, vital mesmo é tê-las no prato.

Como incluir fibras no café da manhã

Aveia

Considero seu farelo a melhor alternativa para complementar o consumo diário de fibras, por ser uma fonte excelente e muito versátil”, elogia Mariana. A aveia pode ser acrescentada a saladas de frutas, vitaminas e receitas de bolos e pães.

Duas colheres de sopa do farelo concentram, em média, 4,2 gramas de fibras. A farinha do cereal, cabe dizer, tem uma quantidade menor, já que é obtida a partir da trituração de todo o grão. O farelo vem da área externa, mais fibrosa.

Frutas

Também são pontos de concentração de fibras. Mas os teores variam. Para ter ideia, enquanto um kiwi reúne 1,7 grama desses compostos, a goiaba esbanja 4,5 gramas. Um belo motivo para diversificar o menu. “As pesquisas mostram, no entanto, que os brasileiros consomem basicamente banana, laranja, mamão e maçã”, informa Eliana.

Além de provar mais variedades, quando possível, mantenha a casca. Tem muita fibra escondida ali.

Granola caseira

Esse mix de cereais, frutas e oleaginosas pode ser encontrado prontinho no supermercado. Mas muitas marcas dão uma exagerada em ingredientes como açúcar. Compensa mais preparar sua própria granola — que é um poço de fibras.

Amanda sugere uma mistura de flocos de aveia, frutas secas, farinha de chia, castanhas, nozes e coco ralado para incrementar iogurtes e frutas. Já granolas salgadas têm afinidade com saladas.

Pães

Fazê-los em casa é o jeito perfeito de garantir um combo de fibras, com farinha integral, além de farelos e sementes. Ao comprar pães prontos, o segredo é investigar a lista de ingredientes, que está em ordem decrescente. Logo, os cereais integrais (e não a farinha branca) precisam surgir primeiro.

E atenção à tabela nutricional: para um item ser denominado “fonte” de fibras, deve ter, no mínimo, 2,5 gramas delas por porção. Para ser “rico”, o valor sobe para 5 gramas.

Sementes

“São ótimas fontes de fibras e de substâncias antioxidantes”, resume Mariana. Ou seja, a turma é sucesso e merece espaço. “Elas podem entrar em receitas como bolos e vitaminas e também adicionadas ao preparo de pães”, aconselha.

Uma colher de sobremesa de chia e linhaça reúne, respectivamente, 3,4 e 3,3 gramas de fibras. A semente de abóbora é outra ótima pedida: a colher tem 3,5 gramas das substâncias.

Clássicos em xeque

Tapioca: não tem fibras e pode fazer a glicose disparar. Para mudar seu perfil, acrescente sementes ou recheie com frutas.

Cereais matinais: em geral, tem tanto açúcar neles que nem as fibras conseguem amenizar os picos de glicemia. Ao comprar, verifique o rótulo.

Pão com leite: é o desjejum do brasileiro, né? Em vez de abandonar, opte pelo pão integral, bote aveia no leite e agregue uma fruta.

Como incluir fibras nos lanches

Mix de oleaginosas

Fácil, fácil de carregar na bolsa, um punhado de 30 gramas de nozes, castanhas, baru, amendoim e companhia cai como uma luva entre as refeições principais. Apesar de a quantidade ser modesta, acredite: a barriga fica forrada de verdade.

Isso porque a combinação de gorduras boas e fibras (olha elas aí!) torna a digestão mais lenta. Aliás, é justamente pela presença de gorduras que não se recomenda abusar. E lembre-se: varie os tipos de oleaginosas.

Frutas secas e liofilizadas

Ostentam fibras e são práticas. Mas tenha em mente que elas perdem água. Ou seja, os nutrientes surgem concentrados, incluindo o açúcar.

Logo, não exagere. As liofilizadas passam por um processo de baixa pressão e temperatura. Ficam mais crocantes, com conteúdo mais bem preservado.

Iogurte turbinado

O iogurte natural é desses alimentos que têm tudo a ver com uma rotina equilibrada: possui cálcio, proteínas e bactérias boas.

Para representar um lanche mais atraente ainda, é só acrescentar fibras. Elas podem vir por meio de sementes, oleaginosas e frutas desidratadas ou naturais. A granola caseira e a aveia também são excelentes parceiros.

Como se vê, o iogurte é um tremendo curinga, pois serve de base para diversos itens fibrosos.

Legumes

Cenourinhas vendidas em pacote, tomates-cereja e palitos de aipo e pepino. Recrutar esses vegetais para as refeições intermediárias dá um boom no consumo de fibras. Sem falar que são tranquilos de transportar.

“Para quem deseja um lanche leve, essas opções fazem mais sentido do que castanhas e frutas secas”, diz Eliana.

Clássicos em xeque

Biscoitos: muitas vezes há açúcar e gorduras demais no pacote. E mais farinha branca do que integral. Olho na embalagem!

Barras de cereais: algumas ofertam tanto açúcar que convém chamá-las de doces. “Poucas marcas são fontes de fibras”, avisa Eliana.

Sucos de frutas: ao espremê-las, as fibras vão embora. Não coar dá uma ajudinha. A indicação das nutris é priorizar as frutas in natura.

Como incluir fibras no almoço e na janta

Arroz integral

Como 90% do farelo permanece nessa versão, ela é mais vantajosa em relação à refinada, que, durante o processamento, perde gorduras, vitaminas, minerais e… fibras.

Mas há quem não se acostume com o sabor e a textura. Tudo bem. “Ao escolher o arroz branco, dá para compensar com outros alimentos durante a refeição, como saladas cruas, verduras, legumes, feijão e frutas”, tranquiliza Amanda.

Se quiser ousar, recorra ao cuscuz ou à quinua — essa última tem até mais fibras que o arroz integral.

Leguminosas

O grupo conta com ervilha, grão-de-bico e lentilha. Mas o feijão é seu ícone máximo. Até porque é ele quem ainda provê boa parte da modesta quantidade de fibras ingeridas no Brasil.

“Aconselha-se comer duas porções por dia”, recomenda Amanda. Por refeição, seriam duas partes de arroz para uma de feijão.

Infelizmente, especialistas têm notado uma queda no consumo do alimento. Para tê-lo diariamente, que tal cozinhar no fim de semana e congelar em pequenas porções?

Massas integrais

Também exibem mais fibras do que as refinadas — só que nem todos curtem. Se ficar com a massa branca, lance mão de estratégias para não acabar a refeição sem as substâncias.

São elas: abrir o menu com salada, privilegiar molhos com vegetais (como brócolis, cenoura e ervilha) e trocar o doce por uma fruta na sobremesa.

Há receitas de “espaguete” à base de pupunha e abobrinha que são ricas em fibras e menos calóricas.

Aveia

Você não leu errado: ela aparece aqui de novo. Lembra que foi definida como versátil? Não era exagero.

Como seu sabor é neutro, o cereal é adequado tanto para pratos salgados como doces. A aveia pode ser utilizada para engrossar caldos, sopas, feijões ou entrar em receitas de pães, panquecas e tortas.

Seus flocos ainda servem para empanar alimentos, como filé de frango ou bife bovino. Depois, leve ao forno em vez de fritar, tá?

Hortaliças

Outro time que não deixa a desejar no quesito fibras. E dá para enriquecer ainda mais um prato de folhas. Basta adicionar sementes e oleaginosas.

Já os legumes trariam mais vantagens se degustados crus. Quando isso não é possível, Amanda sugere refogá-los ou cozinhá-los no vapor para preservar os nutrientes.

A nutricionista Eliana lembra que alface, tomate e cebola formam a trinca de vegetais mais populares no Brasil. O ideal é abrir esse leque.

Fruta com chia na sobremesa

Você já sabe que as frutas ocupam posto de prestígio em termos de fibras. E a sobremesa é mais uma oportunidade de trazer esses alimentos à mesa.

Mas, para esse momento, há outra opção bacana: a chia. Em contato com a água, ela vira uma espécie de gel, crescendo cerca de 15 vezes.

Tal característica a torna interessante para algumas receitas, como sagu. É só misturar a semente com suco de uva integral e deixar na geladeira por quatro horas. Prove com outros sucos.

Clássicos em xeque

Purês: de vez em quando eles são os escolhidos para fazer parceria com carnes. O detalhe é que o prato fica desprovido de fibras, porque o mexe-mexe as destrói. Não abra mão dos vegetais para dar largada a uma refeição como essa.

Sopas: Eliana comenta que as mais fibrosas são as preparadas com leguminosas ou as que têm vegetais folhosos, como couve e repolho. Além da aveia, farelos podem engrossar caldos.

Quando suplementar?

Para Eliana, do FoRC-USP, não faz sentido trocar a comida, que traz prazer, por cápsulas e pós. A não ser que realmente estejamos em uma situação específica em que é impossível seguir uma alimentação normal.

Já Marcia Daskal acha válido recorrer a suplementos quando o colesterol está alto, o intestino anda preso ou durante uma viagem, em que a dieta sai do habitual. Na dúvida, converse com um médico ou nutricionista.


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Monday, March 4, 2019

O aplicativo que auxilia o tratamento dos hemofílicos

Um novo software e aplicativo de celular permitem a pacientes e médicos monitorarem melhor o tipo mais comum da doença, a hemofilia A. “O pilar do tratamento é a reposição do fator VIII recombinante de coagulação, fornecido pelo Ministério da Saúde a toda pessoa cadastrada”, esclarece Margareth Ozelo, hematologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Para calcular a dose, é preciso checar o tempo de ação do fator VIII no organismo. Normalmente, essa verificação exige 11 coletas de sangue em diferentes horários. Com o myPKFit, software lançado pela companhia de biotecnologia Shire, duas amostras são o bastante para o médico orientar os intervalos em que o paciente deve fazer as aplicações.

O indivíduo, por sua vez, acompanha por meio de gráficos os momentos em que seu organismo está menos protegido e, portanto, mais suscetível a sangramentos. Pode evitar, assim, fazer atividade física num momento de baixa do fator de coagulação, prevenindo hemorragias internas.

O que é a hemofilia

Hereditário em 70% das vezes, o distúrbio se caracteriza pela dificuldade ou incapacidade de coagulação do sangue.

Prevalência: dados de 116 países em 2017 indicam que 196 mil pessoas apresentam hemofilia, sendo que 158 mil têm o tipo A.

Sintomas: sangramentos prolongados, espontâneos ou após traumas, hematomas e demora na cicatrização.

Diagnóstico: a confirmação da doença é feita por meio de coagulograma e da dosagem da atividade coagulante.

Tratamento: o principal pilar é a reposição do fator da coagulação – VIII na hemofilia tipo A e IX na hemofilia B.

Cuidados: atenção na higiene bucal, na vacinação, nos procedimentos invasivos e com alguns remédios contraindicados.

App em ação

1. Para começar

O profissional de saúde pede acesso ao software pelo e-mail sac@shire.com. Para usar o aplicativo no celular, basta baixá-lo na loja de downloads.

2. De um lado…

O médico simula diferentes dosagens e intervalos de infusão e visualiza gráficos de até duas semanas da ação do medicamento.

3. …e do outro

O paciente informa eventuais sangramentos, registra as infusões realizadas e relata situações que impactam no tratamento.

Fontes: Manual de Hemofilia do Ministério da Saúde 2015 e World Federation Hemophilia Report 2017


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Sunday, March 3, 2019

Protetor solar: 10 erros e mancadas mais comuns ao passar

O protetor solar é um item essencial para se proteger contra o câncer de pele. Porém, dependendo da forma com a qual lidamos com o produto, a pele não fica devidamente blindada. Veja abaixo os 10 erros e mancadas mais comuns na hora de passar o filtro.

1. Ignorar certas áreas do corpo

Parece óbvio onde devemos aplicar o protetor, não é mesmo? Mas sempre sobra um cantinho… Um estudo da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, revelou que as pessoas se esquecem de passar o filtro solar em cerca de 10% do rosto, por exemplo.

Algumas das partes mais ignoradas: a ponta do nariz, o canto interno dos olhos e, nos homens com calvície, a própria careca. Também há os locais de difícil acesso, como as costas, que sofrem com as queimaduras. Ocorre que não dá para descuidar.

Os raios ultravioleta UVA, que penetram profundamente na pele e podem levar ao surgimento de câncer, e os UVB, que nos atingem superficialmente e geram as queimaduras, não dão trégua aos esquecidos.

As regiões mais críticas

Pálpebras e canto interno dos olhos: nem sempre é fácil aplicar protetor aí. Então invista em chapéus e óculos.

Boca e lábios: para evitar as manchas ao redor dos lábios e do bigode, use também batons e hidratantes labiais com FPS.

Cantos e ponta do nariz: eles ficam expostos mesmo com chapéu e óculos. Use e abuse do protetor, inclusive nos contornos.

Nuca: por ficar atrás, passa despercebida. Só quem tem cabelo longo, guardião natural da nuca, pode deixá-la sem protetor.

Orelhas: estão entre as áreas mais afetadas pelo esquecimento. Além do filtro, um chapéu de abas largas ajuda a poupá-las do sol.

Mãos: embora apliquemos o protetor com elas, as coitadas não ganham a devida atenção. O sol tende a castigá-las com manchas e rugas.

Dorso dos pés: releve a areia grudando ali, pois a queimadura é pior. Se tiver dificuldade em alcançar a área, peça auxílio a alguém.

Tem que usar na cidade

Algumas partes que protegemos ao vestir biquíni ou sunga, como braços e pernas, passam batidas no dia a dia longe da praia ou da piscina. Mas camisas curtas ou decotadas, bermudas e saias também deixam os membros descobertos. “As mulheres costumam cuidar do rosto, mas deixam o colo exposto”, exemplifica o farmacêutico Lucas Portilho, diretor científico da Consulfarma.

2. Não cuidar da pele dos menorzinhos

Criança não deve ver o filtro solar só nas férias e feriados. Uma pesquisa recente da Universidade de Sydney, na Austrália, mostrou que o uso regular do produto desde a infância protege, lá na frente, contra o melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Afinal, a radiação é cumulativa ao longo da vida.

Fora que a pele de crianças e adolescentes é supersensível. “Eles correm mais perigo do que os adultos e têm maior dificuldade de se cuidar”, resume o oncologista Rodrigo Munhoz, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

3. Achar que só precisa de filtro no verão

Embora a intensidade dos raios solares seja maior nos meses quentes, o sol não dá folga a quem mora perto dos trópicos. “Os níveis de radiação ultravioleta em São Paulo, no inverno, são quase tão altos quanto os de Paris no verão”, compara Munhoz.

E, em momentos de descuido, os raios UVA penetram no corpo, podendo causar de rugas a câncer de pele. Por isso, o conselho é passar protetor solar pelo menos três vezes por dia, da mesma forma que você escova os dentes.

4. Ficar bitolado com a falta de vitamina D

Os poucos minutos que você permanece na rua quando vai ao banco, sai para almoçar ou caminha até a padaria são suficientes para que os raios UVB estimulem as células da pele a produzirem a vitamina D, aliada contra a osteoporose e outras tantas doenças. Mas, embora o filtro tenha capacidade de bloquear a radiação solar, dificilmente alguém terá deficiência vitamínica por causa dele.

E, mesmo que a pessoa fique totalmente blindada do sol, ainda pode encontrar um pouco da vitamina em ovos, peixes e cogumelos — ou, como é mais comum, dentro de suplementos.

5. Economizar na quantidade protetor

Precisamos de 2 miligramas de protetor para cada centímetro quadrado de pele. No papel, a fórmula é simples, mas quem consegue fazer a conta? O jeito é calcular por colheres: uma de sopa para o tronco, outra para as costas, além de uma para cada perna e braço. Já no rosto e na nuca, basta uma colher de chá.

Sem se esquecer de reaplicar, viu? “Um tubo de 200 gramas deve durar cerca de seis aplicações no corpo todo”, calcula a dermatologista Valéria Marcondes, de São Paulo.

6. Apostar somente em hidratantes e maquiagem

Confira o rótulo dos cosméticos que dizem ter proteção solar. Eles possuem FPS, que barram os raios UVB? E PPD, indicado contra raios UVA? Se faltar algum dos dois, você ainda vai precisar do seu filtro regular.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem uma classificação para os produtos com FPS que não são considerados protetores solares de fato — são os multifuncionais. “É preciso tomar cuidado, pois eles não contam com uma blindagem para UVA adequada. A indústria é obrigada a advertir sobre isso na embalagem, mas o consumidor nem sempre lê”, alerta Portilho.

Em resumo, o filtro sempre tem FPS e PPD; já os multifuncionais contam só com FPS, deixando você exposto aos raios cancerígenos. Para usar os cosméticos com segurança, os médicos orientam não abrir mão do filtro clássico.

Respeite a ordem de passagem

Hidratante, maquiagem, repelente, protetor solar… Existe um monte de produto para passar na pele — e tem quem use todos. Aí, é natural ficar perdido quanto à ordem ideal de aplicação. Mas não há uma sequência fechada.

Os especialistas só são unânimes quanto a um detalhe: o protetor sempre deve ficar por último. Assim, evita-se que itens utilizados posteriormente exerçam atrito e acabem reduzindo sua eficácia.

No caso de quem não dispensa a maquiagem — e, portanto, não pode passar o bloqueador solar no final — a saída é recorrer a um filtro que já atue como base.

7. Não reaplicar após algum tempo

Quando finalmente encontrar seu lugar (seguro) ao sol, lembre-se de que a proteção não é eterna: o intervalo recomendado para reaplicar o filtro é de duas em duas horas, pois ele vai sendo absorvido pela pele e seu efeito se torna cada vez mais fraco.

Esse intervalo é ainda menor para quem entrar na água ou estiver transpirando bastante. Nesses casos, repasse o protetor assim que houver oportunidade. E atenção: um FPS maior ou menor não influencia no tempo de reaplicação — a regra é a mesma para todos os produtos.

8. Passar o filtro depois de sair de casa

O sol não espera você chegar à praia (ou a outro local) para queimar. Por isso, é bom já pisar na rua protegido. E, se o trajeto for longo ou você colocar uma camiseta que depois vai tirar, o ideal é reaplicar o produto assim que alcançar o destino.

“A transpiração ou o contato da pele com o tecido da roupa podem remover parte do protetor”, justifica Portilho.

E não precisa esperá-lo fazer efeito: “É lenda que o produto só funciona 15 minutos após a aplicação. As moléculas estão ativas dentro do tubo”, garante o farmacêutico.

Muito além do protetor

Temos que admitir: ele não resolve tudo sozinho. É aí que entram os chamados protetores físicos, ou seja, acessórios que ajudam a bloquear a passagem dos raios solares. Chapéus, óculos e guarda-sol são exemplos clássicos.

Quem costuma ficar muito tempo no sol deve ter cuidado redobrado e investir até em roupas com proteção ultravioleta. Camisetas e bermudas normais podem impedir o bronzeado, mas não barram toda a radiação que atinge a sua pele.

9. Usar o produto do verão passado

Protetor é caro, e, às vezes, fica aquela dúvida se não vale simplesmente recuperar o tubo largado no fundo do armário. Só que esse item também tem uma vida útil: após um tempo, as substâncias que garantem a proteção solar se degradam e perdem o poder de atuação. Portanto, olho na data de validade!

Outra coisa: dependendo de onde e como ele foi guardado, podem se formar colônias de fungos e bactérias no interior da embalagem, provocando irritações e outros problemas cutâneos.

10. Não levar em conta seu tipo de pele

Pele seca, oleosa ou mista? Não importa: no mercado não faltam produtos para cada um desses perfis. Converse com um especialista sobre a opção mais adequada para você, já que a versão errada pode prejudicar a aparência e a saúde da cútis.

O bate-papo também ajuda a realizar a melhor escolha em termos de FPS. “Para quem tem a pele mais clara, recomenda-se um FPS de 50 para cima. Peles morenas e negras também devem ser protegidas, mas o fator pode ser 30”, exemplifica Valéria.

Fontes: Jade Martins, dermatologista e coordenadora do Departamento de Oncologia Cutânea da Sociedade Brasileira de Dermatologia; Lucas Portilho, farmacêutico e diretor científico da Consulfarma; Rodrigo Munhoz, oncologista e diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica; Sergio Setsuo Maeda, endocrinologista da Universidade Federal de São Paulo; Valéria Marcondes, dermatologista de São Paulo


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Saturday, March 2, 2019

Carnaval saudável: 8 recados para aproveitar a folia sem dores e doenças

A-lá-lá-ô, é Carnaval! Pegue suas máscaras, coloque a fantasia e saia para a avenida. Ah, mas antes de curtir os bloquinhos, podemos ter cinco minutos da sua atenção? A gente promete que vai valer a pena.

Em homenagem à folia, preparamos uma série de conteúdos para você ter um Carnaval saudável. Mas nunca – nunca! – confunda saúde com monotonia. Até porque tem coisa mais chata do que passar o feriadão todo doído ou doente?

  1. Os mandamentos para não se machucar feio no Carnaval
  2. Os cuidados com o coração nesse feriado
  3. Pés em foco: dos calçados às unhas
  4. O que a pessoa com diabetes deve fazer para se divertir sem riscos no Carnaval
  5. A doença do beijo: prevenção, sintomas e tratamento
  6. As perigosas interações de álcool com remédio (quais as piores)
  7. Como proteger os olhos durante o Carnaval
  8. Os cuidados básicos com o glitter

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Friday, March 1, 2019

Proteja seus olhos durante o Carnaval

Enfim chegou o Carnaval! Com a popularização dos bloquinhos de rua, a festa se tornou sinônimo de fantasia, maquiagem e muito glitter. Mas existem alguns cuidados com os olhos que são importantes – não só na hora de preparar a make como também na quantidade de bebida alcoólica que você ingere.

Segundo a oftalmologista Cristina Dantas, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o primeiro passo é não compartilhar os produtos. Apesar de ser comum entre as mulheres, esse hábito facilita o contágio de doenças.

Outro ponto para ficar alerta é quanto aos itens vencidos. “Sempre prestamos atenção na data de validade dos alimentos, mas esquecemos de verificar na maquiagem”, observa Cristina. Ou seja: nada de aplicar os cosméticos do Carnaval passado!

E muita cautela com o glitter. “Em contato com o olho, ele pode lesionar a córnea e formar pequenas feridas e até úlcera”, alerta a oftalmologista. Por isso, dê preferência a maquiagens brilhosas de marcas de confiança, que passam por testes de segurança.

Atenção: passe longe da purpurina vendida nas papelarias. Ela não foi feita para entrar em contato com a pele.

Já na hora de utilizar o lápis, lembre-se de aplicar na parte externa dos cílios, nunca na linha d’água. “Se você passa o lápis nessa camada, bloqueia o terminal da glândula lacrimal”, justifica a especialista. Aí o olho resseca.

Para quem vai incrementar a fantasia com lente de contato, a dica é não comprar em qualquer lugar. “Cada pessoa tem um formato diferente de córnea. É preciso procurar um oftalmologista para fazer a adaptação”, recomenda Cristina.

Além de ajustar a lente, o especialista é quem vai orientar sobre o uso e a higienização. “Se mal utilizada, causa infecções e microlesões”, completa a expert.

Há também quem busque cílios postiços ou mesmo fitinhas de LED para as pálpebras, que criam um visual mais diferentoso. Eles até estão liberados, desde que os itens sejam de marcas reconhecidas.

E um recado importantíssimo: depois da diversão, lembre-se de remover toda a maquiagem.

Álcool em excesso também prejudica a visão

Não são só as maquiagens de procedência duvidosa que fazem mal para os olhos. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, em Campinas, a alta concentração de metanol nas bebidas alcoólicas falsificadas pode lesionar o nervo óptico e levar à perda definitiva da visão. Trata-se da neurite óptica.

Queiroz Neto explica, por meio de um comunicado da sua assessoria de imprensa, que a neurite óptica ocorre devido a algumas substâncias produzidas no processamento do metanol no nosso organismo. Seus sintomas são: dor de cabeça, náuseas, vômitos, queda na visão de contraste e, eventualmente, cegueira. Ao mesmo tempo, danifica rins, fígado, coração, pâncreas e altera a camada externa do cérebro.

Segundo o especialista, a intensidade dessas reações depende da quantidade ingerida. Porém, mesmo quando a intoxicação passa despercebida, deixa sequelas que dão as caras após algum tempo.

O tratamento se baseia em aplicar injeções de corticoide para reduzir a inflamação, mas varia de caso a caso. A recuperação leva de semanas a meses.

Para evitar a enfermidade, cheque o lacre da garrafa e verifique o registro do Ministério da Agricultura no rótulo. Muito mais fácil do que passar por todo esse perrengue em pleno Carnaval, não é mesmo?


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Novidades no Portal Educacional da São Judas

O Portal Educacional da São Judas terá diversas mudanças a partir do dia 07 de março. Muito mais dinâmico e moderno, a interface ficará mais simples e intuitiva para você. Confira as novidades:             
• Ambiente virtual de aprendizagem; 
• Fóruns de discussão;
• Disponibilidade de materiais de aula;
• Envio e recebimento de tarefas de aula.




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Chegou o Mês de Conscientização da Endometriose. O que saber sobre ela

Já ouviu falar do Março Amarelo? Esse é o Mês Mundial de Conscientização da Endometriose, uma oportunidade para conhecer mais a fundo essa doença da mulher, que chega a afetar a fertilidade e o sexo. Mas, antes de tudo, o que é a endometriose? Cliquei aqui e descubra.

Agora, separamos alguns conteúdos-chave para evitar ou controlar essa chateação adequadamente:

E fique de olho no site da SAÚDE. Ao longo de março, vamos publicar ainda mais conteúdos sobre a saúde da mulher.


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